A companhia aérea AZUL, uma das maiores do Brasil, anunciou nesta quarta-feira que protocolou um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, por meio do chamado Chapter 11, mecanismo legal usado por empresas para reestruturar dívidas com proteção judicial.
Segundo comunicado ao mercado, a medida faz parte de um processo de reestruturação pré-acordada com os principais credores e parceiros estratégicos da companhia, com o objetivo de viabilizar acordos financeiros e garantir a continuidade das operações.
A proposta contempla um financiamento de US$ 1,6 bilhão no formato DIP (debtor-in-possession), além da eliminação de mais de US$ 2 bilhões em dívidas existentes. Está prevista também a captação de até US$ 950 milhões em novos aportes de capital ao término do processo.
A decisão ocorre em um momento crítico para a companhia, cuja dívida alcançou R$ 31 bilhões no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 50,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A AZUL destacou que os acordos foram firmados com importantes stakeholders, como os detentores de títulos da dívida, sua maior arrendadora de aeronaves, a AERCAP, além das parceiras estratégicas UNITED AIRLINES e AMERICAN AIRLINES.
“O objetivo é transformar a estrutura de capital da Azul, reduzindo significativamente o endividamento e fortalecendo a geração de caixa”, afirmou a empresa no fato relevante.
Ao final do processo, está prevista a amortização do financiamento DIP com os recursos obtidos por meio de uma oferta de subscrição de ações de até US$ 650 milhões, com garantia firme dos investidores envolvidos.
O pedido de Chapter 11 não afeta as operações da AZUL no Brasil, que devem continuar normalmente durante o período de reestruturação.